
Mais do que mulher, eu sou amante. Porque essa foi a forma que a gente encontrou de viver só o lado bom de cada um. Como um paraíso que ele visita de vez em quando, por estar de saco cheio do mundo e precisar de um descanso, ou só por saudade mesmo, daquelas que invadem de mansinho e quando percebemos já estamos dominados. Como um refúgio, uma pessoa perfeita que só existe nos nossos momentos e deixa de existir no momento em que ele entra no elevador, e volta a ser apenas ser humano, com todos os defeitos inerentes à sua condição
Amante para dar carinho, amor, proporcionar as melhores noites, as melhores conversas e as risadas mais gostosas. Para admirar o corpo dormindo, para fazer carinho, para contar segredos, para desabafar, para ajudar, para amar a noite inteira, o dia inteiro, sempre que for necessário. Para dizer as melhores coisas e receber tudo o que há de bom. Para decifrar a essência que só ele conhece, e que só se mostra de verdade pra ele. Como um amor virtual, só que bem real. Como um namoro perfeito, que só existe em dias marcados e com hora marcada.
E o mais importante de tudo: amante sem exigir exclusividade. Porque se não fosse assim, passaria a ser namorada, o que no início também se mostra perfeito, mas que com o tempo vai quebrando o encanto até que se acabe junto o amor. A única condição pra que se exista essa perfeição no relacionamento. A condição que está me tirando do sério nesse momento.
Cansei de ser perfeita, prefiro ser única e tê-lo todos os dias. Mesmo que ainda demore um pouco pra isso acontecer. Mesmo correndo o risco de perder o encanto. Fazer o quê? A vaidade ta falando muito mais alto do que a promessa de amor eterno mas que não pode ser todo e completamente meu. Desisto de ser válvula de escape. Preciso de presença e constância, pelo menos por enquanto. E se não der certo, prometo voltar à condição de amante, com tudo o que lhe é de direito. Inclusive o amor.